Gilberto Del Sole, aos vinte anos, no inicio de sua pintura, não escuta a sirene abstracionista, corre o risco de não ser observado. O pior existe, o perigo de ser tido como um pintor retrógado – ele que ainda prefere pintar uma paisagem, uma mulher, uma casa, etc., em lugar de pintar os abecedários pictóricos, círculos, quadrados e triângulos, mais bem que encher a tela com recortes de formas, e representar detritos espaciais de linhas de planos e de cores – corre o perigo de ser classificado por um pintor conservador, desconhecedor, esquecido da ciência (mais ou menos atômica) da pintura moderna.
Ele ama Modigliani, tem prazer de estudar Cezane e Van Gogh e se considera figurativo.
Quem olha em sua exposição “da Chiurazzi”, a paisagem com a igreja de Piazza Del Popolo, tem que apreciar a ousadia do corte, a forma seca e sensível onde é vivida a cor limpa e clara estruturada das linhas.
Del Sole, com as linhas e as cores vibrantes, abertos na luz (é aquela vibração especialmente, que parece ser confiada a tarefa de sugerir a profundidade).
Apreciar a ordem, a limitação técnica, aquela futura cautela e árdua estilizatura que indicam um pintor já totalmente além da simples emoção naturalista.
Jornal “Il Tempo” de 02/1950 Virgilio Guzzi
