Arte
A vida artística de Del Sole é uma consecutiva tomada de decisões, na área da pintura, já que cada período e estilo de sua arte são resultado de um final artístico, não possibilitando uma continuação da sua pintura ser uma repetição total. Cada período corresponde a um estilo novo, mais conectado ao anterior: é por isso que existe coerência e continuidade na sua arte. É uma arte figurativa, no início e quase abstrata no final.
Os primeiros trabalhos do artista, iniciaram em 1944, em plena segunda guerra mundial. Aos 17 anos, na Itália, ganhou em um concurso nacional, para expor seu trabalho na XXV Bienal de Veneza, máxima Exposição Internacional Artística, com a participação dos maiores pintores da história.
Durante e após a exposição de Veneza, pintou e continua pintando atualmente, aos 91 anos de idade.
A sua trajetória artística se caracteriza por ter tido vários períodos. Cada vez que sua arte tinha tendência a repetir-se, surgia uma nova fase, sempre ligada à sua pintura anterior. A última Fase “Vida- Recordação” é a posterior a Fase “Liberdade Gestual “, incorporando nela uma leve sugestão da natureza humana e a do mundo que nos circunda; dando à sua pintura uma força nova, quase um retorno à sua juventude pictórica. Atualmente o seu trabalho tem uma clara continuidade e força, mais realidade na sua trajetória, evitando repetição. Adora a natureza e tem em suas obras, muito, muito amor! Paul Klee já dizia: “o artista não representa o visível, o torna visível”.
Livre de qualquer contingência naturalista, suas pinturas questionam magicamente o silêncio. Suas paisagens, figuras humanas, naturezas mortas e composições pictóricas questionam o mundo, nas suas cores e formas.
A Liberdade Gestual, precedente à fase atual, permite toda inventiva pictórica nas obras, mas, com o passar do tempo, as pinturas começam a ter algumas formas semelhantes entre elas e até mesmo tendem a uma repetição, nesse momento aparece inserido nas telas um leve acento figurativo, renovando e vivificando assim a pintura do artista. É assim, a atual Vida e Recordações.
Muitas fases pictóricas passam na vida do Artista, já necessitava de um descanso, na procura das formas e das cores, nasceu assim uma vontade de Liberdade, a Liberdade Gestual, fase na qual o Artista não tem ideia do que pintará.
Uma primeira pincelada colorida é colocada na tela e, com a mente em espera, continua pintando, sem plano preconcebido, pintando somente pelo impulso das linhas e cores já realizados na tela.
Pinta quase figurativamente aquarelas e pasteis, todas as obras em tamanho menor, mas já com a segurança conceitual e executiva, possivelmente transmitida por seus professores/artistas da escola de artes que ele frequentava.
Desenvolvia já obras jogando com as cores e a luz, sempre aprimorando um estilo próprio.
Desenvolve a pintura da fase anterior, em um estilo levemente colórico, criando uma harmonia baseada nos encontros fortes e contrastantes, das cores básicas e das compostas.
Viveu em diversos países, tais como, Itália (Roma), França (Paris) e Uruguai (Montevideo).
Nesse período ganhou no concurso nacional para participar da XXV Bienal de Veneza – Exposição Internacional de Arte, que era considerado, naquele momento, a mais importante na escala mundial de pós guerra.
Após anos, dessa fase, a pintura estava em uma fase repetitiva e o decidiu estudar e vislumbrar novos horizontes: viajou para a Bolívia e Peru, estudando a arte do povo nativo e sua herança milenar. São tentativas coloridas que ficam sem consequências visíveis nas pinturas futuras.
Formou-se em Arquitetura, na Faculdade de Montevideo – Uruguai, em 1959 e revalidou seguidamente, seu Diploma de Arquiteto na Argentina e no Brasil.
Fez várias viagens de estudos para Europa, Ásia e África, realizando pequenas obras de pinturas e desenhos.
Realizou também muitos projetos arquitetônicos, bem como a fiscalização executiva.
A pintura retorna com força total, cores e formas se integram ainda com um leve sabor Naturalista. São cores suaves e esfumadas que acompanham as formas, logo confundidas pelas mesmas cores. Usa tons vibrantes, intensos, características dos artistas mais jovens, da “Geração dos anos 80”.
Independentemente de referências históricas, a pintura de Gilberto Del Sole, documenta o mundo. Desvenda os laços e relações intrínsecas das formas e das cores, frutos da memória e da observação. As pinturas são, num átimo, materializadas cromaticamente, redimensionando assim o próprio ato de pintar, que para o artista é cor, forma, matéria, espaço e o próprio tempo.
A cor é experiência, transparência, leveza e a luz. A forma é história, sabedoria, técnica, espaço e tempo. Livre de quaisquer contingências naturalistas, suas pinturas questionam magicamente o silêncio.
As formas se delineiam, mais logo destruídas pelas cores em potentes pinceladas. Pincéis carregados de cor superpõem-se entre eles, criando transparências cromáticas, resultando em quadros fortes, vigorosos e intensamente coloridos. A pincelada é a autora e protagonista das obras desse período.
No início de sua carreira, Gilberto Del Sole representava, por excelência, o mundo visível e figurativo. Nos últimos anos, o domínio técnico da própria pintura revelou-o à plenitude da cor que possibilita aos verdadeiros pintores, através de suas luzes e artes matéricas, sintetizar o mundo visível.
Caberá à sensibilidade do espectador captar, visualizar, incorporar as formas e as figuras, quase abstratas, da arte de Gilberto Del Sole.
Livre de qualquer contingência naturalista, suas pinturas questionam magicamente o silêncio: suas paisagens, figuras humanas, naturezas mortas e composições pictóricas questionam metafisicamente o mundo visual.
São velozes esboços, já denunciando os resultados cromáticos finais de cada um, para a preparação de quadros de dimensões maiores.
Em 1953, produziu cerâmicas em baixas temperaturas, nas quais joga com as cores diretamente. A partir de 1998, trabalhou com cerâmicas em altas temperaturas. Nessa técnica se imagina que o resultado cromático final, após passar pelo segundo forno, as cores aplicadas são sempre bem diferentes do resultado final.
Outra vez, o medo da repetição nas suas obras, faz o Artista recolher-se em sua pintura, procurando vários caminhos, figurativos ou não; sempre com a mesma composição cromática e pinceladas ricas em cores.
As vezes tem na sua paleta um retorno figurativo, mas sua paleta não muda, somente procura uma nova expressão.
Toda lembrança de sua vida, desejos realizados, reprimidos ou imaginados, se transformam em linhas e cores, já com um semblante cromático, mostrando o quanto de mais íntimo e escondido oculta-se na psicologia do artista: é sua fantasia.
As cores são mais tranquilas e as formas são abstratas ou não, são uma composição do inconsciente psicológico e das recordações de toda sua vida.
Durante toda a sua vida, ou seja, durante todas as suas fases artísticas, o pintor viaja na procura do conhecimento sobre as artes, já existentes no mundo. São desenhos em nanquim, de paisagens, arquiteturas e figuras, em estilo quase figurativo.
Mais recentemente cria desenhos abstratos em lápis grafite colorido. São desenhos quase geométricos, onde o artista controla a precisão da sua mão ao desenhar, assim sendo, obriga o observador a uma visualização continua da obra até a sua compreensão, entrando assim no mundo do artista.
Num período de 30 anos, projetou e fiscalizou mais de 45 obras de arquitetura: Edifícios Comerciais e Civis, Bancos e Escolas, desde “Terra Del Fuego – Argentina até Belém do Pará – Brasil”.
Em todas as obras, o rigor do desenho, da volumetria e da funcionalidade tiveram bons resultados no que tange a estética e funcionalidade.
10 – Casa d’Itália
1966