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Na Galeria de Chiurazzi encontrei um rapaz sentado na frente de alguns quadros. Muitas estátuas foram embora não se sabe para onde. O rapaz estava sentado e olhava seus quadros. Na Galeria, ninguém mais a não ser o antigo cuidador, agora famoso; aquele mesmo que viu passar sob seus olhos procissões de estatuas e quadros, peregrinações de artistas, críticos e jovens olhando. Agora o rapaz se chama Del Sole.
Seus quadros estavam ali, simples, humildes, valorizados, com a cadeira que gritava; com as árvores que cantavam baixinho; com dois obreiros trabalhando na obra, mas estampados nas vestes pelos golpes gelados do sol; com uma cúpula quase preta, altíssima apoiando-se em algumas frentes de casas mínimas; com uma figura de mulher sentada na vitrine, de frente ao olhar de todos, e meditava sozinha na cor que a tinha definida para sempre.
Aquele menino de poucas palavras, tanto mais elegante quanto guerreiro nos quadros, ao final revelava uma discrição antiga, um certo pudor de não dizer todo e completo, quase um sentimento, quase um sentido de pudor humano, que haviam feito marcar os limites, as fronteiras das coisas, de matemático puro a quase engenheiro do quadro mesmo.
Enfim, foi obrigado a mudar de opinião. Aqueles quadros me fizeram mal, as minhas cicatrizes marcadas, a esta pele dura, a este peito que recorda as florestas e as tempestades, os golpes da fortuna adversa………..
………. e então aparece um menino sentado que senti ser filho desse tempo perdido; um filho que procura sem saber de levar de volta, não os irmãos, não os primos, não as irmãs, mas os Pais da Pintura, se não foram os avós antigos da pintura mesma.
Tem que descobrir por primeira coisa, o gênio ainda imaturo, então positivo, então longe, graças a Deus, de um substrato aprendidos, de suposições longínquas, de toda aproximação que possam fazer do pintor, antes do tempo, um expoente brilhante de uma teoria nova. O pintor está em frente, a vista daquelas cores audaciosas e vencedoras, de um tal desespero levemente aparente, de um cor íntima que indica muita artística. Veja por exemplo, aquela cadeira oxidada que é obrigada a suportar algumas frutas.
Veja ainda aquela paisagem sem tempo, vista com uma luz interna, a que resistem as telhas, as janelas, as fachadas e as paredes; feita com pólvora do ar e da terra do campo, em um conjunto de reflexos que indicam a chegada do sol……..
Veja aquela figura de mulher sentada na timidez da meditação de virgem possuída pelas próprias vestes, mais vestes e carne de extremo pudor……
E logo, aquelas árvores, árvores verdadeiras no poente de outono. Na frente desse quadro pode se dizer que as leis das cores centradas na fúria de sua composição. Aqui falta a ilusão, falta o sonho, e, não é pouco em comparação da maior parte de certa pintura contemporânea. São estes de Del Sole, os primeiros quadros autênticos de uma pintura nua e crua, reduzida aos ossos por uma luz muito diferente daquela do passado desde os mamutes e da inundação. Luz após a sirene de alarme, luz debaixo da terra.
Jornal: “Corriere di Roma” 02/1950 – escrito por Marcello Gallian
